domingo, 17 de novembro de 2013

Las meninas

A história que eu conheço começou com um acidente. Pois é, a mamãe, crente que já tinha encerrado o capítulo gravidez , se descuidou- por orientação médica eu ouvi- e lá vim eu! Não sei se era a época ou se foi a própria gravidez repentina que fez com que a mamãe enlouquecesse de vez e resolvesse em seguida do meu nascimento engravidar novamente, para que eu tivesse uma irmã com idade próxima, como havia acontecido com as 3 mais velhas. Hoje, como mãe de 2 acho que a maternidade é maravilhosa mas a escolha de 2 bebês com tão pouco espaço de tempo é impraticável! 
Bem....pra minha sorte a mamãe fez assim, e um ano após meu nascimento chegou a Fernanda, minha irmazinha caçula! 
Crescemos juntas, comíamos juntas, dormíamos juntas e vestíamos quase sempre as mesmas roupas. Todos achavam que éramos gêmeas até porque  foi com uns 3 ou 4 anos que a caçula me alcançou em altura e não demorou pra me deixar pra trás hehe...no tamanho , só no tamanho! De resto éramos quase iguais. Adaptávamos nossas diferenças para alcançar um convívio quase perfeito. Dividíamos gostos, trocávamos ideias, tirávamos conclusões debatíamos sobre tudo, falávamos sobre todos ( hehe) e assim fomos descobrindo o mundo. 
Dentro do nosso mundo, nós tínhamos a nossa identidade, mas para o mundo nós acabamos nos tornando "as meninas". 
Ninguém mais queria saber se a Paula tinha chegado ou se a Fernanda tinha gostado de um filme, as perguntas eram sempre: as meninas estão aí? Ou e aí meninas, vocês gostaram do filme-- quando só uma estava presente !
Pois é, houve um momento em que ficamos frustradas e , bem a moda dos 16 anos, achávamos um horror que fossemos tratadas como uma só .... Mas não demorou nada pra percebermos que " as meninas" era algo muito mais interessante. Era o nosso elo, nossa força. Era o que nos deixava imunes as confusões existenciais , pelo menos por fora, era a nossa carcaça  , nosso escudo. 
E então a gente cresceu. Cada uma tomou seu rumo. E assim, todas as pessoas pararam de falar nas meninas. Mas nada mudou realmente. Em qualquer lugar que a gente esteja, fazendo o que for, sempre que a gente conversa, a cumplicidade , a verdade de tudo que a gente fala tem uma força muito maior do que qualquer outra. Não importa o que aconteça, a gente fala, a gente ri, a gente briga pra caramba. A gente se desentende por que temos uma necessidade tão grande de nós entendermos que só brigando, se desesperando que a gente se aceita . E a gente segue, inacreditavelmente na mesma onda sempre.
O resultado no momento é esse blog. Pode-se dizer que essa é a nova onda das meninas...espero que todos se divirtam ! :)

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